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Criatividade pode retardar o envelhecimento cerebral, aponta estudo publicado na Nature

Homem em suéter preto e branco de pé ao lado da parede com grafite.

Pintar e outas atividades artísticas fazem bem ao cérebro. Foto: Frankie Cordoba (Unplash)

De acordo com a jornalista Gemma Conroy, em matéria publicada na Nature, atividades criativas como dançar tango, tocar instrumentos, pintar ou mesmo jogar videogames complexos podem retardar o envelhecimento do cérebro ao nível molecular. O estudo, divulgado em 3 de outubro na revista Nature Communications, analisou 1.240 participantes de 10 países e mostrou que pessoas engajadas em atividades criativas apresentaram cérebros “mais jovens” que a média cronológica.

Segundo Conroy, os pesquisadores criaram “relógios cerebrais” — modelos de aprendizado de máquina baseados em neuroimagem — para medir a diferença entre a idade cronológica dos voluntários e a idade aparente de seu cérebro. Essa abordagem revelou que, em regiões mais vulneráveis ao envelhecimento, as conexões neuronais aumentavam significativamente entre os participantes mais experientes em atividades criativas.

Ainda de acordo com a revista Nature, o efeito antienvelhecimento foi mais evidente entre os dançarinos de tango, cujos cérebros apresentaram, em média, sete anos a menos que suas idades reais. Para Agustín Ibáñez, neurocientista da Universidade Adolfo Ibáñez, no Chile, “o tango é uma mistura cognitivamente exigente de movimentos complexos, coordenação e planejamento, o que o torna uma atividade particularmente boa para manter o cérebro jovem”.

Além de avaliar especialistas, os cientistas treinaram um grupo de pessoas para jogar StarCraft II, um jogo de estratégia. Conroy explica que os iniciantes “conseguiram diminuir a idade cerebral e melhorar seu desempenho tanto no jogo quanto em testes de atenção” após algumas semanas. O grupo de controle, que jogou um game menos criativo, não apresentou o mesmo resultado. Para Ibáñez, isso mostra que “você não precisa ser Da Vinci para ter efeitos saudáveis” — aprender uma nova habilidade criativa do zero já traz benefícios.

Segundo a Nature, essa plasticidade pode ocorrer porque atividades criativas recrutam mais áreas cerebrais do que exercícios cognitivos tradicionais, como palavras cruzadas. Francisca Rodriguez, cientista cognitiva do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas, acrescenta que talvez o pensamento criativo seja menos vulnerável ao envelhecimento, embora “mais pesquisas precisem validar essas suposições”.

O estudo, publicado na Nature Communications e detalhado por Gemma Conroy na Nature, reforça a importância das atividades criativas para a saúde mental e física, mostrando que música, arte, dança e até videogames complexos podem se tornar ferramentas de prevenção ao declínio cognitivo.

Com informações da Nature.

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