Os futuros passados das revistas científicas

Revistas científicas do século XIX e XX são digitalizadas. Material revela como os homens do passado imaginavam o futuro

Por Bruno Leal

Capa da Popular Science, maio de 1960. Fonte: Google.

O Google digitalizou centenas de revistas científicas do século XIX e XX e disponibilizou todo esse conteúdo gratuitamente. Muitos títulos existem até hoje e contaram coma  contribuição de brilhantes cientistas. Ao passear por essas publicações somos capazes de compreender um pouco melhor como os homens do passado imaginavam o futuro: colônias em marte, carros voadores, robôs domésticos, transporte de massa super veloz e outras maravilhas que resolveriam metade dos problemas no mundo. Está tudo registrado nessas revistas.

Dentre os acervos digitalizados pelo Google, destacam-se as revistas norte-americanas Popular Science e Popular Mechanics. A primeira foi fundada em 1872 por Edward L.Youmans e até hoje é mensalmente publicada. Já foi traduzida para mais de trinta línguas em pelo menos quarenta e cinco países. Seu objetivo, desde o lançamento, é disseminar o conhecimento científico para fins educacionais. Já a segunda, focada em ciência e tecnologia, foi publicada pela primeira vez em janeiro de 1902 por H.H.Windsor. Também continua em circulação hoje em dia. Há nove edições internacionais dela, incluindo uma versão para a América Latina.

Os arquivos das revistas estão completos, incluindo anúncios e ilustrações. O sistema de busca e visualização também é bastante prático: o internauta pode procurar por palavras-chaves dentro de cada edição. Cada edição possui um link próprio, o que é ideal para a pesquisa e notação científica em trabalhos acadêmicos. Na página central de cada revista, é possível escolher década e, em seguida, o ano de pesquisa. Ao clicar em cada revista, automaticamente o leitor consegue ver os conteúdos do índice.

Mesmo para quem não pesquisa a história da ciência ou questões relativas ao imaginário científico, as revistas prometem uma viagem divertidíssima para o não-especialista. Neste sentido, as capas das revistas dizem tudo. Em agosto de 1920, por exemplo, a capa da “Popular Science” mostra os menores automóveis elétricos, tão pequenos que cabem dentro de uma casa de cachorro. Quase vinte anos depois, na capa de Julho de 1940,carros coletivos, mecânicos e artesanais, com vista panorâmica para os passageiros. Há lugar nesta pesquisa, inclusive, para amantes das artes, pois as capas das primeiras décadas da revistas são altamente trabalhadas do pronto de vista estético. Para conferir o acervo digitalizado pelo Google, clique aqui e aqui.


Bruno Leal Pastor de Carvalho – doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É professor do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense. Pesquisa os seguintes temas: criminosos nazistas, mídias sociais e divulgação de história. É fundador e editor do Café História. Atualmente, é pós-doutorando em História Social pela UFRJ.

2 Comentário

  1. OLÁ! Fui freguês de revistas tipo Popular Mechanics nos anos de 1950 quando eram baratinhas e chegavam em geral só com um mês de atraso. Passam-se os anos e eis que leio n’algum lugar que Alberto Santos=Dumont teve alguns de seus inventos nelas publicado. Ainda não achei qual, e quem sabe com este site poderei ter mais sorte. Depois eu conto a descoberta, se alguma!

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