Deportação de crianças judias é tema de projeto historiográfico

Site especial com mapas e diversos outros materiais que ajudam a compreender a deportação de crianças judias para campos de extermínio nazistas

Por Bruno Leal

Historiadores do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, do Ministério da Educação daquele país, criaram um site que conta a História quase uma centena de crianças judias que foram deportadas da França para campos de concentração nazistas. O projeto se intitula “La déportation dês enfants juiz du 3E arrondissement de Paris”, em referência ao bairro de Paris, onde muitas dessas crianças viviam. O projeto pode ser visto como mais um esforço de pesquisadores franceses no sentido de enfrentar e compreender um dos acontecimentos mais emblemáticos de sua História Contemporânea: o colaboracionismo. De Paris a Marseille, os mapas disponibilizados no site mostram como cada departamento francês encaminhou os jovens judeus deportados, os territórios mais afetados pelo terror nazista e as trajetórias feitas por cada comboio. No site, é possível pesquisas a partir de endereços, conferir nomes e idades. O destino das crianças variava: da vizinha Alemanha até o distante Leste Europeu. Não raro, as crianças seguiam um caminho diferente daquele que seus pais e parentes.

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Um dos mapas do site mostra logradouros em que viviam crianças judias que foram deportadas. Foto: http://tetrade.huma-num.fr/Exposition/2014_CNAM/

Os mapas e o site onde estão disponibilizados o conteúdo foram elaborados pelo historiador Jean-Luc Pinol, baseando-se nas informações coletadas pelo caçador de nazistas e pesquisador do Holocausto Serge Klarsfeld. O projeto, porém, é bem mais do que números e estatísticas visuais. Ele também oferece vídeos, histórias de deportados que sobreviveram, enfim, um panorama bastante interessante sobre a comunidade judaica na frança.

As crianças representaram um grupo notadamente vulnerável dentro do contexto do genocídio nazista durante o Terceiro Reich. Segundo o Museu do Holocausto de Washington, os alemães e seus colaboradores assassinaram cerca de 1,5 milhão de crianças. Destas um milhão eram judias. Outras milhares, segundo o museu, eram ciganas, crianças alemãs com deficiências físicas ou mentais que viviam em instituições, além de crianças polonesas e crianças que moravam na parte ocupada da União Soviética. Ainda segundo a instituição, as chances de sobrevivência dessas crianças era muito pequena, diferente dos jovens entre 13 e 18 anos, que podiam ser utilizados para o trabalho escravo.

Para conhecer o projeto, clique aqui.


Bruno Leal Pastor de Carvalho é Doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professor do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense. É fundador e editor do Café História. Atualmente, é pós-doutorando em História Social pela UFRJ. Pesquisa os seguintes temas: criminosos nazistas, mídias sociais e divulgação de História.

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