Bancos de artigos científicos: tendência no meio acadêmico

Bancos de artigos científicos na web são cada vez mais usados por estudantes e pesquisadores na elaboração do conhecimento

Por Bruno Leal

Há alguns anos, encontrar periódicos científicos para a realização de textos acadêmicos não era uma tarefa tão fácil. Eles estavam disponíveis quase sempre apenas nas bibliotecas universitárias. E ainda assim, o catálogo de títulos era bastante limitado e lacunar. E isso sem mencionar o caso de milhares de cidades que não contavam com bibliotecas do gênero, uma vez que as universidades, especialmente no Brasil, são desigualmente distribuídas pelo mapa. Em alguns casos, restava a opção de comprar esses periódicos diretamente da fonte. Mas isso era caro e consumia muito tempo. Deste modo, escrever uma monografia, uma dissertação, uma tese ou um simples artigo era um duro exercício de paciência e de muita perseverança. Felizmente, isso começou a mudar nos últimos anos. Com o desenvolvimento de novas tecnologias, sobretudo a internet, o acesso ao conhecimento foi descomplicado. Hoje, é possível ter acesso fácil aos principais periódicos científicos do planeta. Mais recentemente, essa tarefa se tornou ainda mais inteligente e simples, mediante a criação de bancos de antigos científicos, que reúnem milhares de títulos.

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Tela inicial do JSTOR (acrônimo para Journal Storage). O site é um sistema online de arquivamento de periódicos acadêmicos sediado nos Estados Unidos, fundada em 1995.

Há atualmente, uma grande variedade de bancos de dados que reúnem não só artigos, mas também livros e trabalhos científicos em geral. É o caso do Google Scholar, conhecido no Brasil como Google Acadêmico. Como o próprio nome diz, trata-se de um projeto criado pelo Google. Ele permite aos usuários de internet pesquisar e acessar todo tipo de trabalho acadêmico: de teses e dissertações a artigos e livros universitários. O serviço é gratuito e foi lançado em novembro de 2004 nos Estados Unidos. No Brasil, o sistema está disponível desde janeiro de 2006. As buscas são realizadas da mesma forma que o Google tradicional. O usuário coloca uma palavra-chave e o sistema oferece páginas de resultados pertinentes. Assim como o Google Books, outro projeto do Google, mas voltado para livros, o Google Acadêmico também possui um enorme acervo, boa parte em língua portuguesa. Seu lema é “Stand on the shoulders of giants” (“Sobre os ombros de gigantes”), metáfora que ilustra a colaboração como condição para o saber.

O universo de bancos de artigos científicos é enorme. Há duas, contudo, que não podemos esquecer. Um dessas dicas é SciELO, que vem sendo cada vez mais usado e reconhecido por estudantes e professores universitários. O SciELO é o produto da cooperação entre a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e a BIREME (Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde). Fundado em 1998, o projeto abrange diversos periódicos científicos brasileiros e de outras partes do mundo. Desde 2002, o Projeto conta com o apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Segundo os indicadores bibliométricos, são mais de 158 mil artigos e documentos publicados de 2000 a 2008.

Esse sucesso, porém, foi fruto de muita luta. No início dos anos 2000, o SciELO quase deixou de existir devido aos baixos índices de acesso. Felizmente, através de publicidade institucional e a mobilização popular na internet, a rede tornou-se conhecida e hoje é uma referência para quem busca artigos científicos. Ele também disponibiliza livros, muitos dos quais gratuitos.

Nossa outra recomendação é o JSTOR, um acrônimo para Journal Storage. Trata-se de um sistema online baseado nos Estados Unidos e criado originalmente pela Fundação Andrew W.Mellon. O JSTOR é hoje um dos maiores bancos de artigos científicos do mundo, reunindo periódicos de centenas de universidades. Quase todo o seu arquivo é gratuito. Para acessar é preciso fazê-lo em bibliotecas universitárias – onde o sistema geralmente é liberado. Também é possível ter acesso ao JSTOR remotamente, mas isso exige registro no sistema e autorização de alguma instituição conveniada. Em geral, as bibliotecas de universidade pública ajudam seus estudantes e conseguir esse tipo de acesso. O JSTOR é hoje uma organização sem fins lucrativos, independente e autossustentável. Seu acervo impressiona: são mais de 1.079 títulos de periódicos em 18 coleções representando 51 disciplinas, além de mais de 260.000 artigos individuais, cobrindo mais de 33,7 milhões de páginas de texto.


Bruno Leal Pastor de Carvalho – doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É professor do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense. Pesquisa os seguintes temas: criminosos nazistas, mídias sociais e divulgação de história. É fundador e editor do Café História. Atualmente, é pós-doutorando em História Social pela UFRJ.

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